Hipertensão arterial: tudo o que você precisa saber, explicado por cardiologistas da Cardiocare Curitiba
Cardiologistas hipertensão Curitiba
Este artigo é baseado no primeiro episódio do Podcast Cardiocare.
Assista ao episódio completo no YouTube:
- Dr. Walmor Lemke – Cardiologia (RQE 12075) – CRM 11818
- Dr. Renato Maruiti – Cardiologia (RQE 15071) – Ergometria (RQE 14076) – CRM 14076
- Dr. Rafael David Munhoz – Cardiologia (RQE 13437) – CRM 19935
Nasce o Podcast Cardiocare
A Cardiocare tem mais de 25 anos cuidando do coração dos curitibanos. Agora, a clínica dá mais um passo: lança o seu próprio podcast, um espaço de conversa honesta, baseada em ciência, para levar informação cardiológica de qualidade até você.
No primeiro episódio, o Dr. Walmor Lemke recebeu dois cardiologistas da clínica para uma conversa franca sobre um dos temas mais urgentes da medicina cardiovascular: a hipertensão arterial.
Os convidados foram o Dr. Renato Maruiti e o Dr. Rafael Munhoz.
O que você vai ler a seguir é um resumo aprofundado e fiel ao que foi discutido no episódio.
O que é RQE e por que você deve perguntar sobre ele antes de marcar uma consulta
Antes de falar sobre hipertensão, os médicos fizeram uma pausa importante.
Quando você busca um cardiologista, o mínimo que você deve verificar é o CRM, o número de registro no Conselho Regional de Medicina. Mas isso não basta.
O RQE (Registro de Qualificação de Especialidade) é o que comprova que aquele médico é, de fato, um especialista certificado. É ele que valida a formação, os títulos e o reconhecimento do profissional pelas sociedades médicas.
Nem todo médico com CRM tem RQE em cardiologia. Procure sempre um cardiologista com RQE. Esse detalhe pode fazer toda a diferença na qualidade do seu acompanhamento.
Hipertensão arterial: a doença que metade da população tem e não sabe
Vamos direto ao ponto.
Mais da metade da população adulta tem hipertensão arterial. Esse dado não é alarmismo, é epidemiologia. E ele tem uma consequência prática imediata: existe uma enorme chance de que você, ou alguém próximo a você, seja hipertenso sem saber.
Por quê isso acontece?
Porque a hipertensão é uma doença silenciosa. Ela não dói. Não avisa. Não produz sintomas perceptíveis, pelo menos não no início.
Como explicado no podcast:
“A hipertensão dará sintomas quando a gente tiver uma lesão em algum órgão, como os olhos, o coração, o cérebro, os rins.”
Ou seja: quando a pressão alta finalmente “aparece”, frequentemente é porque já causou dano. E esse dano, muitas vezes, é irreversível.
O Dr. Walmor ilustrou bem o problema com uma cena cotidiana que talvez você já tenha vivido:
“A síndrome da segunda-feira: a tia resolve pegar o aparelho de pressão na festa de família do domingo e medir a pressão de todo mundo. O sobrinho jovem, 20 anos, nunca tinha medido, marca 18 por 10. Segunda-feira ele vai ao médico. Mas tem uma grande parte que não vai.”
Esse é o retrato real da hipertensão no Brasil.
O que realmente significa “12 por 8”: a verdade sobre a nova diretriz
Em 2023, a Sociedade Brasileira de Cardiologia publicou uma diretriz que viralizou nas redes sociais com uma frase: “12 por 8 é o novo limite”.
A repercussão foi enorme e a confusão, também.
Os participantes esclareceram o que as diretrizes realmente dizem:
Abaixo de 12 por 8: pressão ideal. Não há nada a ser feito além de manter os bons hábitos.
Entre 12 e 14 por 8-9: faixa de pré-hipertensão. O paciente não é hipertenso ainda, mas precisa de atenção. A conduta aqui não é prescrever remédio, é orientar mudança de estilo de vida: redução de sódio, atividade física, controle do peso.
Acima de 14 por 9: hipertensão estabelecida. Avaliação médica individualizada é necessária.
O erro da mídia foi transmitir a ideia de que qualquer pessoa com pressão acima de 12 por 8 deveria começar a tomar medicação imediatamente. Não é isso que a diretriz diz.
Como o Dr. Rafael enfatizou, o que determina a conduta é o contexto do paciente:
“O paciente magro, que faz exercício, cuida da dieta, tem boa qualidade de sono, e está com 13 por 8, é um pré-hipertenso que precisa de orientação. Mas o paciente obeso, sedentário, que fuma, tem diabetes, e cuja mãe morreu de infarto, esse, com 13 por 8, já pertence a um grupo de risco completamente diferente.”
Tratar não é dar remédio. Essa foi uma das frases mais importantes do episódio. Tratar é avaliar, orientar, acompanhar e, quando necessário, medicar. Mas sempre com visão do paciente como um todo.
Hipertensão do jaleco branco e hipertensão mascarada: dois fenômenos que você precisa conhecer
Nem toda pressão alta medida no consultório é hipertensão de verdade. E nem toda pressão normal medida no consultório significa que tudo está bem.
Hipertensão do jaleco branco
É quando a pressão sobe especificamente no ambiente médico, por ansiedade, estresse do deslocamento, nervosismo. O paciente sai do consultório e a pressão normaliza em casa.
Como o Dr. Rafael disse, isso acontece até com os próprios médicos:
“Uma vez fui ao hospital, minha pressão estava alta. Falei: não sou hipertenso, estou aqui porque eu quero.”
Hipertensão mascarada
O fenômeno oposto. A pressão no consultório parece normal, mas em casa, com o estresse diário, o cigarro, a rotina agitada, ela está cronicamente elevada.
Por isso, a medição de pressão em casa tem cada vez mais valor diagnóstico do que uma única aferição no consultório.
Como medir a pressão corretamente em casa (MRPA)
A MRPA (Medição Residencial da Pressão Arterial) é uma ferramenta valiosa, mas só funciona se feita corretamente.
Alguns pontos essenciais discutidos no episódio:
- Use aparelho digital de braço, aferido pelo Inmetro. Aparelhos de pulso são menos confiáveis. Leve o aparelho ao consultório para calibrar com o do médico.
- Fique em repouso antes de medir. Não meça a pressão logo após caminhar, subir escadas ou se agitar. Espere pelo menos cinco minutos sentado em repouso.
- Faça duas ou três medidas seguidas. A primeira pode ser mais alta por ansiedade. Respire fundo, aguarde um minuto e meça novamente.
- Não fume antes de medir. O tabaco eleva a pressão imediatamente.
- Registre os resultados. Os médicos adoram quando o paciente chega com uma tabela. Essa sequência de medidas ao longo do tempo tem muito mais valor diagnóstico do que um único número isolado.
O Dr. Rafael contou um caso que ilustra bem o que pode dar errado:
“Uma paciente ligava desesperada dizendo que a pressão estava 22 por 12. Quando chegava ao consultório: 13 por 8. Quando trouxe o aparelho, descobrimos que ela estava colocando o manguito ao contrário, aferindo sobre o osso, e não sobre a artéria.”
A conclusão prática: não basta ter o aparelho. É preciso saber usar.
MAPA: quando o monitoramento ambulatorial é indicado
A MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial) é um exame em que o paciente usa um equipamento por 24 horas que mede a pressão a cada 15 a 20 minutos, durante o dia e durante o sono.
Ela é especialmente útil quando:
- Há suspeita de hipertensão do jaleco branco
- Há suspeita de hipertensão mascarada
- O médico precisa avaliar o comportamento da pressão durante a noite
- É necessário monitorar a resposta ao tratamento
A Cardiocare oferece o exame de MAPA com retirada e devolução na própria clínica, disponível também na modalidade Home Care Cardiocare.
O que o estilo de vida realmente faz pela sua pressão: os números que os estudos comprovam
Uma das partes mais práticas do episódio foi quando o Dr. Rafael apresentou dados concretos sobre o impacto das mudanças de estilo de vida na pressão arterial. Não são achismos, são resultados de estudos robustos, citados nas diretrizes das principais sociedades cardiológicas do mundo.
- Redução de sódio na dieta: pode reduzir a pressão em até 9 mmHg. O ideal é consumir no máximo uma colher de chá de sal por dia.
- Atividade física regular: redução de aproximadamente 7 mmHg.
- Perda de peso: a cada 1 kg perdido, há uma redução de aproximadamente 1 mmHg na pressão arterial.
Some tudo isso: um paciente que reduz o sal, começa a se exercitar e perde alguns quilos pode reduzir sua pressão em 15 a 20 mmHg, o que, em alguns casos, pode eliminar ou reduzir a necessidade de medicação.
Isso não é propaganda de estilo de vida saudável. São dados de décadas de pesquisa.
Ultraprocessados: o inimigo silencioso da sua pressão arterial
O Dr. Rafael fez um alerta importante sobre os alimentos ultraprocessados, aqueles prontos para consumo, vendidos em embalagens coloridas, com ingredientes que você não consegue pronunciar.
O perigo está no teor absurdo de sódio presente nesses produtos. Uma lasanha congelada, um macarrão instantâneo, um embutido, todos carregam quantidades de sódio que ultrapassam em muito o recomendado para o dia inteiro.
A boa notícia: o governo brasileiro passou a exigir a rotulagem de alimentos com alto teor de sódio, gordura e açúcar. Use isso a seu favor. Leia os rótulos.
O Dr. Rafael também mencionou uma publicação de diretrizes dietéticas americanas de 2025, que chamou atenção para o fato de jovens entrarem no exército americano com problemas de saúde, em parte atribuídos ao consumo excessivo de ultraprocessados. Quando uma das maiores potências militares do mundo começa a se preocupar com isso, é sinal de que o problema é real e urgente.
Tenho que tomar remédio para sempre? A resposta honesta dos cardiologistas
Essa é a pergunta que mais aparece no consultório. E a resposta, dada com honestidade pelos dois médicos, é:
Provavelmente sim.
Quando a medicação é indicada, é porque as medidas não farmacológicas já não foram suficientes para controlar a pressão, e porque há uma tendência natural do organismo de elevar a pressão com o envelhecimento.
Mas isso não é uma sentença. É uma ferramenta de proteção.
O Dr. Renato explicou que existem casos em que pacientes conseguem reduzir ou até suspender a medicação, desde que mantenham mudanças profundas e sustentadas de estilo de vida, e sempre sob orientação médica. Mas isso é exceção, não regra.
O que os médicos enfatizaram com força é que o remédio não funciona se tomado de forma irregular. Hipertensão exige tratamento contínuo. Tomar o comprimido só quando a pressão “está alta”, ou quando a pessoa “lembra”, não é tratamento. É ilusão de controle.
E sobre os efeitos colaterais? O Dr. Renato contou que muitas vezes o que o paciente atribui ao remédio não tem relação com ele. A estratégia nesses casos é trocar a medicação temporariamente para confirmar a causa, e o mais comum é o paciente perceber que o sintoma continuou, mesmo com o remédio diferente.
Os órgãos que a hipertensão destrói em silêncio
Quando a pressão arterial fica cronicamente elevada, as artérias sofrem. Elas inflamam, endurecem e desenvolvem aterosclerose, o acúmulo de placas que estreita os vasos e reduz o fluxo sanguíneo.
Os órgãos-alvo da hipertensão, aqueles que sofrem as maiores consequências, são quatro:
Coração: hipertrofia do ventrículo esquerdo, insuficiência cardíaca, risco aumentado de infarto.
Cérebro: esse é o ponto que mais assusta os pacientes, e com razão. Como o Dr. Renato afirmou, a hipertensão é o principal fator de risco para AVC, superando o colesterol e o cigarro. Um AVC em um jovem hipertenso pode resultar em incapacidade permanente.
Rins: lesão renal progressiva que pode evoluir para insuficiência renal e, nos casos graves, levar à necessidade de diálise.
Olhos: retinopatia hipertensiva, que pode comprometer a visão de forma irreversível.
A boa notícia: todas essas complicações são evitáveis com diagnóstico precoce e tratamento adequado.
Desinformação e redes sociais: o médico como antídoto
Um dos temas que percorreu toda a conversa foi a explosão de informação, boa e ruim, sobre saúde nas redes sociais.
O Dr. Rafael foi preciso:
“A gente tem um excesso de informação desnecessária. Isso por si só gera estresse. E o estresse é uma das causas do aumento da pressão arterial.”
Pacientes chegam ao consultório com diagnósticos feitos pelo Google, tratamentos sugeridos pelo ChatGPT e convicções moldadas por vídeos no Instagram. O trabalho do médico inclui, cada vez mais, desfazer essas camadas de desinformação, com paciência, evidências e construção de confiança ao longo das consultas.
A mensagem central dos três médicos foi clara: o seu cardiologista com RQE é o único capaz de filtrar essa informação e aplicá-la de forma individualizada à sua realidade.
Receita de bolo não existe em medicina. O que funciona para o vizinho pode ser contraindicado para você.
Envelhecer bem: o que as Zonas Azuis ensinam sobre coração e longevidade
O Dr. Rafael fez uma referência que vale a pena aprofundar: a série documental “Como viver até os 100”, disponível na Netflix, que mostra as chamadas Zonas Azuis, regiões do mundo onde a concentração de centenários saudáveis é significativamente maior do que a média global.
O que essas populações têm em comum?
Alimentação equilibrada, com baixo índice de ultraprocessados. Atividade física integrada à vida cotidiana, não como obrigação, mas como hábito natural. Vínculos sociais fortes. Propósito de vida, uma razão para acordar todos os dias.
Não se trata de viver até os 100 anos a qualquer custo. Trata-se de chegar aos 80 ou 90 com funcionalidade, autonomia e qualidade de vida. E a saúde cardiovascular é o alicerce disso tudo.
O médico como consultor: a visão da Cardiocare sobre a relação médico-paciente
Uma das frases mais marcantes do episódio foi dita pelo Dr. Walmor:
“O seu médico é o seu consultor. Traga todas as suas dúvidas para ele. É ele quem está habilitado a dizer se uma informação é verdadeira ou não.”
Essa é a filosofia que guia a Cardiocare há mais de 25 anos.
Médicos que acompanham seus pacientes por décadas. Que conhecem a história, a família, os medos e os hábitos de cada pessoa. Que constroem confiança ao longo do tempo.
O Dr. Rafael contou sobre pacientes cujos pais e avós também foram atendidos na clínica. O Dr. Renato falou sobre uma paciente de mais de 80 anos, praticante de karatê, cujo controle clínico exemplar é resultado de anos de acompanhamento consistente.
Essa é a diferença entre ser atendido e ser cuidado.
Perguntas frequentes sobre hipertensão arterial
O que é hipertensão arterial? É a condição em que a pressão do sangue contra as paredes das artérias fica cronicamente acima dos valores normais, atualmente definidos como 14 por 9 mmHg ou mais para o diagnóstico de hipertensão.
Hipertensão tem cura? Na maioria dos casos, a hipertensão não tem cura, mas tem controle. Com tratamento adequado, o hipertenso pode ter qualidade de vida e longevidade semelhantes a pessoas sem a doença.
Posso deixar de tomar o remédio se minha pressão normalizar? Não. A normalização da pressão frequentemente é resultado do efeito do medicamento. Suspender sem orientação médica pode causar uma elevação brusca e perigosa.
Com que frequência devo medir a pressão em casa? Para quem já tem diagnóstico de hipertensão, o ideal é medir regularmente e registrar os valores. A frequência ideal deve ser orientada pelo seu cardiologista.
Qual é a diferença entre MAPA e MRPA? A MRPA é a medição feita pelo próprio paciente em casa, com aparelho digital de braço, em diferentes momentos do dia. A MAPA é um exame em que o paciente usa um equipamento por 24 horas que faz medições automáticas a cada 15-20 minutos, incluindo durante o sono.
Hipertensão tem relação com estresse? Sim. O estresse crônico eleva os níveis de cortisol e adrenalina, que por sua vez elevam a pressão arterial. Técnicas de gerenciamento de estresse, incluindo exercício físico, sono adequado e práticas de relaxamento, fazem parte do tratamento.
Conclusão: informação de qualidade salva vidas
A hipertensão é silenciosa. Mas não é invisível, não para quem sabe onde olhar e tem um bom cardiologista ao lado.
O Podcast Cardiocare nasceu exatamente para isso: levar até você o mesmo nível de conversa que acontece dentro dos consultórios. Com ciência, com experiência e com a honestidade de quem cuida de pacientes há mais de 25 anos.
Se você ainda não tem um cardiologista, esse é o momento de marcar sua consulta.
Se você já tem, leve suas dúvidas. Leve sua tabela de pressão. Leve seus medos. É para isso que ele está lá.
Este artigo foi elaborado com base no conteúdo do Podcast Cardiocare EP. 01, com a apresentação do Dr. Walmor Lemke, participação do Dr. Renato Maruiti e Dr. Rafael Munhoz. O conteúdo tem finalidade informativa e educativa, e não substitui a consulta médica individualizada.