Hipertensão arterial: tudo o que você precisa saber, explicado por cardiologistas da Cardiocare

Hipertensão arterial: tudo o que você precisa saber, explicado por cardiologistas da Cardiocare

1 de julho de 2026

Este artigo é baseado no primeiro episódio do Podcast Cardiocare.

Assista ao episódio completo no YouTube:

Nasce o Podcast Cardiocare

A Cardiocare tem mais de 25 anos cuidando do coração dos curitibanos. Agora, a clínica dá mais um passo: lança o seu próprio podcast, um espaço de conversa honesta, baseada em ciência, para levar informação cardiológica de qualidade até você.

No primeiro episódio, o Dr. Walmor Lemke recebeu dois cardiologistas da clínica para uma conversa franca sobre um dos temas mais urgentes da medicina cardiovascular: a hipertensão arterial.

Os convidados foram o Dr. Renato Maruiti, cardiologista com RQE em Cardiologia e RQE em Ergometria, formado pela Universidade Federal do Paraná desde 1999, e o Dr. Rafael Munhoz, cardiologista com RQE em Cardiologia, graduado pela Universidade de Santa Catarina, com especialização em Clínica Médica pelo Hospital Nossa Senhora das Graças e em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia.

  • Dr. Walmor Lemke – Cardiologia (RQE 12075) – CRM 11818
  • Dr. Renato Maruiti – Cardiologia (RQE 15071) – Ergometria (RQE 14076) – CRM 14076
  • Dr. Rafael David Munhoz – Cardiologia (RQE 13437) – CRM 19935

O que você vai ler a seguir é um resumo aprofundado e fiel ao que foi discutido no episódio.

O que é RQE e por que você deve perguntar sobre ele antes de marcar uma consulta

Antes de falar sobre hipertensão, os médicos fizeram uma pausa importante.

Quando você busca um cardiologista, o mínimo que você deve verificar é o CRM, o número de registro no Conselho Regional de Medicina. Mas isso não basta.

O RQE (Registro de Qualificação de Especialidade) é o que comprova que aquele médico é, de fato, um especialista certificado. É ele que valida a formação, os títulos e o reconhecimento do profissional pelas sociedades médicas.

Nem todo médico com CRM tem RQE em cardiologia. Procure sempre um cardiologista com RQE. Esse detalhe pode fazer toda a diferença na qualidade do seu acompanhamento.

Hipertensão arterial: a doença que metade da população tem e não sabe

Vamos direto ao ponto.

Mais da metade da população adulta tem hipertensão arterial. Esse dado, reforçado pelo Dr. Renato no episódio, não é alarmismo, é epidemiologia. E ele tem uma consequência prática imediata: existe uma enorme chance de que você, ou alguém próximo a você, seja hipertenso sem saber.

Por quê isso acontece?

Porque a hipertensão é uma doença silenciosa. Ela não dói. Não avisa. Não produz sintomas perceptíveis — pelo menos não no início.

Como o Dr. Renato explicou:

“A hipertensão dará sintomas quando a gente tiver uma lesão em algum órgão — como os olhos, o coração, o cérebro, os rins.”

Ou seja: quando a pressão alta finalmente “aparece”, frequentemente é porque já causou dano. E esse dano, muitas vezes, é irreversível.

O Dr. Walmor ilustrou bem o problema com uma cena cotidiana que talvez você já tenha vivido:

“A síndrome da segunda-feira: a tia resolve pegar o aparelho de pressão na festa de família do domingo e medir a pressão de todo mundo. O sobrinho jovem, 20 anos, nunca tinha medido, marca 18 por 10. Segunda-feira ele vai ao médico. Mas tem uma grande parte que não vai.”

Esse é o retrato real da hipertensão no Brasil.

O que realmente significa “12 por 8”: a verdade sobre a nova diretriz

Em 2023, a Sociedade Brasileira de Cardiologia publicou uma diretriz que viralizou nas redes sociais com uma frase: “12 por 8 é o novo limite”.

A repercussão foi enorme — e a confusão, também.

O Dr. Renato esclareceu o que as diretrizes realmente dizem:

Abaixo de 12 por 8: pressão ideal. Não há nada a ser feito além de manter os bons hábitos.

Entre 12 e 14 por 8-9: faixa de pré-hipertensão. O paciente não é hipertenso ainda, mas precisa de atenção. A conduta aqui não é prescrever remédio — é orientar mudança de estilo de vida: redução de sódio, atividade física, controle do peso.

Acima de 14 por 9: hipertensão estabelecida. Avaliação médica individualizada é necessária.

O erro da mídia foi transmitir a ideia de que qualquer pessoa com pressão acima de 12 por 8 deveria começar a tomar medicação imediatamente. Não é isso que a diretriz diz.

Como o Dr. Rafael enfatizou, o que determina a conduta é o contexto do paciente:

“O paciente magro, que faz exercício, cuida da dieta, tem boa qualidade de sono, e está com 13 por 8 — é um pré-hipertenso que precisa de orientação. Mas o paciente obeso, sedentário, que fuma, tem diabetes, e cuja mãe morreu de infarto — esse, com 13 por 8, já pertence a um grupo de risco completamente diferente.”

Tratar não é dar remédio. Essa foi uma das frases mais importantes do episódio. Tratar é avaliar, orientar, acompanhar e, quando necessário, medicar. Mas sempre com visão do paciente como um todo.

Hipertensão do jaleco branco e hipertensão mascarada: dois fenômenos que você precisa conhecer

Nem toda pressão alta medida no consultório é hipertensão de verdade. E nem toda pressão normal medida no consultório significa que tudo está bem.

Hipertensão do jaleco branco

É quando a pressão sobe especificamente no ambiente médico — por ansiedade, estresse do deslocamento, nervosismo. O paciente sai do consultório e a pressão normaliza em casa.

Como o Dr. Rafael disse, isso acontece até com os próprios médicos:

“Uma vez fui ao hospital, minha pressão estava alta. Falei: não sou hipertenso, estou aqui porque eu quero.”

Hipertensão mascarada

O fenômeno oposto. A pressão no consultório parece normal, mas em casa — com o estresse diário, o cigarro, a rotina agitada — ela está cronicamente elevada.

Por isso, a medição de pressão em casa tem cada vez mais valor diagnóstico do que uma única aferição no consultório.

Como medir a pressão corretamente em casa (MRPA)

A MRPA (Medição Residencial da Pressão Arterial) é uma ferramenta valiosa — mas só funciona se feita corretamente.

Alguns pontos essenciais discutidos no episódio:

  1. Use aparelho digital de braço, aferido pelo Inmetro. Aparelhos de pulso são menos confiáveis. Leve o aparelho ao consultório para calibrar com o do médico.
  2. Fique em repouso antes de medir. Não meça a pressão logo após caminhar, subir escadas ou se agitar. Espere pelo menos cinco minutos sentado em repouso.
  3. Faça duas ou três medidas seguidas. A primeira pode ser mais alta por ansiedade. Respire fundo, aguarde um minuto e meça novamente.
  4. Não fume antes de medir. O tabaco eleva a pressão imediatamente.
  5. Registre os resultados. Os médicos adoram quando o paciente chega com uma tabela. Essa sequência de medidas ao longo do tempo tem muito mais valor diagnóstico do que um único número isolado.

O Dr. Rafael contou um caso que ilustra bem o que pode dar errado:

“Uma paciente ligava desesperada dizendo que a pressão estava 22 por 12. Quando chegava ao consultório: 13 por 8. Quando trouxe o aparelho, descobrimos que ela estava colocando o manguito ao contrário — aferindo sobre o osso, e não sobre a artéria.”

A conclusão prática: não basta ter o aparelho. É preciso saber usar.

MAPA: quando o monitoramento ambulatorial é indicado

A MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial) é um exame em que o paciente usa um equipamento por 24 horas que mede a pressão a cada 15 a 20 minutos — durante o dia e durante o sono.

Ela é especialmente útil quando:

  • Há suspeita de hipertensão do jaleco branco
  • Há suspeita de hipertensão mascarada
  • O médico precisa avaliar o comportamento da pressão durante a noite
  • É necessário monitorar a resposta ao tratamento

A Cardiocare oferece o exame de MAPA com retirada e devolução na própria clínica, disponível também na modalidade Home Care Cardiocare.

O que o estilo de vida realmente faz pela sua pressão: os números que os estudos comprovam

Uma das partes mais práticas do episódio foi quando o Dr. Rafael apresentou dados concretos sobre o impacto das mudanças de estilo de vida na pressão arterial. Não são achismos — são resultados de estudos robustos, citados nas diretrizes das principais sociedades cardiológicas do mundo.

Redução de sódio na dieta: pode reduzir a pressão em até 9 mmHg. O ideal é consumir no máximo uma colher de chá de sal por dia.

Atividade física regular: redução de aproximadamente 7 mmHg.

Perda de peso: a cada 1 kg perdido, há uma redução de aproximadamente 1 mmHg na pressão arterial.

Some tudo isso: um paciente que reduz o sal, começa a se exercitar e perde alguns quilos pode reduzir sua pressão em 15 a 20 mmHg — o que, em alguns casos, pode eliminar ou reduzir a necessidade de medicação.

Isso não é propaganda de estilo de vida saudável. São dados de décadas de pesquisa.

Ultraprocessados: o inimigo silencioso da sua pressão arterial

O Dr. Rafael fez um alerta importante sobre os alimentos ultraprocessados — aqueles prontos para consumo, vendidos em embalagens coloridas, com ingredientes que você não consegue pronunciar.

O perigo está no teor absurdo de sódio presente nesses produtos. Uma lasanha congelada, um macarrão instantâneo, um embutido — todos carregam quantidades de sódio que ultrapassam em muito o recomendado para o dia inteiro.

A boa notícia: o governo brasileiro passou a exigir a rotulagem de alimentos com alto teor de sódio, gordura e açúcar. Use isso a seu favor. Leia os rótulos.

O Dr. Rafael também mencionou uma publicação de diretrizes dietéticas americanas de 2025, que chamou atenção para o fato de jovens entrarem no exército americano com problemas de saúde — em parte atribuídos ao consumo excessivo de ultraprocessados. Quando uma das maiores potências militares do mundo começa a se preocupar com isso, é sinal de que o problema é real e urgente.

Tenho que tomar remédio para sempre? A resposta honesta dos cardiologistas

Essa é a pergunta que mais aparece no consultório. E a resposta, dada com honestidade pelos dois médicos, é:

Provavelmente sim.

Quando a medicação é indicada, é porque as medidas não farmacológicas já não foram suficientes para controlar a pressão, e porque há uma tendência natural do organismo de elevar a pressão com o envelhecimento.

Mas isso não é uma sentença. É uma ferramenta de proteção.

O Dr. Renato explicou que existem casos em que pacientes conseguem reduzir ou até suspender a medicação — desde que mantenham mudanças profundas e sustentadas de estilo de vida, e sempre sob orientação médica. Mas isso é exceção, não regra.

O que os médicos enfatizaram com força é que o remédio não funciona se tomado de forma irregular. Hipertensão exige tratamento contínuo. Tomar o comprimido só quando a pressão “está alta” — ou quando a pessoa “lembra” — não é tratamento. É ilusão de controle.

E sobre os efeitos colaterais? O Dr. Renato contou que muitas vezes o que o paciente atribui ao remédio não tem relação com ele. A estratégia nesses casos é trocar a medicação temporariamente para confirmar a causa — e o mais comum é o paciente perceber que o sintoma continuou, mesmo com o remédio diferente.

Os órgãos que a hipertensão destrói em silêncio

Quando a pressão arterial fica cronicamente elevada, as artérias sofrem. Elas inflamam, endurecem e desenvolvem aterosclerose — o acúmulo de placas que estreita os vasos e reduz o fluxo sanguíneo.

Os órgãos-alvo da hipertensão — aqueles que sofrem as maiores consequências — são quatro:

Coração: hipertrofia do ventrículo esquerdo, insuficiência cardíaca, risco aumentado de infarto.

Cérebro: esse é o ponto que mais assusta os pacientes — e com razão. Como o Dr. Renato afirmou, a hipertensão é o principal fator de risco para AVC, superando o colesterol e o cigarro. Um AVC em um jovem hipertenso pode resultar em incapacidade permanente.

Rins: lesão renal progressiva que pode evoluir para insuficiência renal e, nos casos graves, levar à necessidade de diálise.

Olhos: retinopatia hipertensiva, que pode comprometer a visão de forma irreversível.

A boa notícia: todas essas complicações são evitáveis com diagnóstico precoce e tratamento adequado.

Desinformação e redes sociais: o médico como antídoto

Um dos temas que percorreu toda a conversa foi a explosão de informação — boa e ruim — sobre saúde nas redes sociais.

O Dr. Rafael foi preciso:

“A gente tem um excesso de informação desnecessária. Isso por si só gera estresse. E o estresse é uma das causas do aumento da pressão arterial.”

Pacientes chegam ao consultório com diagnósticos feitos pelo Google, tratamentos sugeridos pelo ChatGPT e convicções moldadas por vídeos no Instagram. O trabalho do médico inclui, cada vez mais, desfazer essas camadas de desinformação — com paciência, evidências e construção de confiança ao longo das consultas.

A mensagem central dos três médicos foi clara: o seu cardiologista com RQE é o único capaz de filtrar essa informação e aplicá-la de forma individualizada à sua realidade.

Receita de bolo não existe em medicina. O que funciona para o vizinho pode ser contraindicado para você.

Envelhecer bem: o que as Zonas Azuis ensinam sobre coração e longevidade

O Dr. Rafael fez uma referência que vale a pena aprofundar: a série documental “Como viver até os 100”, disponível na Netflix, que mostra as chamadas Zonas Azuis — regiões do mundo onde a concentração de centenários saudáveis é significativamente maior do que a média global.

O que essas populações têm em comum?

Alimentação equilibrada, com baixo índice de ultraprocessados. Atividade física integrada à vida cotidiana, não como obrigação, mas como hábito natural. Vínculos sociais fortes. Propósito de vida — uma razão para acordar todos os dias.

Não se trata de viver até os 100 anos a qualquer custo. Trata-se de chegar aos 80 ou 90 com funcionalidade, autonomia e qualidade de vida. E a saúde cardiovascular é o alicerce disso tudo.

O médico como consultor: a visão da Cardiocare sobre a relação médico-paciente

Uma das frases mais marcantes do episódio foi dita pelo Dr. Walmor:

“O seu médico é o seu consultor. Traga todas as suas dúvidas para ele. É ele quem está habilitado a dizer se uma informação é verdadeira ou não.”

Essa é a filosofia que guia a Cardiocare há mais de 25 anos.

Médicos que acompanham seus pacientes por décadas. Que conhecem a história, a família, os medos e os hábitos de cada pessoa. Que constroem confiança ao longo do tempo.

O Dr. Rafael contou sobre pacientes cujos pais e avós também foram atendidos na clínica. O Dr. Renato falou sobre uma paciente de mais de 80 anos, praticante de karatê, cujo controle clínico exemplar é resultado de anos de acompanhamento consistente.

Essa é a diferença entre ser atendido e ser cuidado.

Perguntas frequentes sobre hipertensão arterial

O que é hipertensão arterial? É a condição em que a pressão do sangue contra as paredes das artérias fica cronicamente acima dos valores normais — atualmente definidos como 14 por 9 mmHg ou mais para o diagnóstico de hipertensão.

Hipertensão tem cura? Na maioria dos casos, a hipertensão não tem cura — mas tem controle. Com tratamento adequado, o hipertenso pode ter qualidade de vida e longevidade semelhantes a pessoas sem a doença.

Posso deixar de tomar o remédio se minha pressão normalizar? Não. A normalização da pressão frequentemente é resultado do efeito do medicamento. Suspender sem orientação médica pode causar uma elevação brusca e perigosa.

Com que frequência devo medir a pressão em casa? Para quem já tem diagnóstico de hipertensão, o ideal é medir regularmente e registrar os valores. A frequência ideal deve ser orientada pelo seu cardiologista.

Qual é a diferença entre MAPA e MRPA? A MRPA é a medição feita pelo próprio paciente em casa, com aparelho digital de braço, em diferentes momentos do dia. A MAPA é um exame em que o paciente usa um equipamento por 24 horas que faz medições automáticas a cada 15-20 minutos, incluindo durante o sono.

Hipertensão tem relação com estresse? Sim. O estresse crônico eleva os níveis de cortisol e adrenalina, que por sua vez elevam a pressão arterial. Técnicas de gerenciamento de estresse — incluindo exercício físico, sono adequado e práticas de relaxamento — fazem parte do tratamento.

Conclusão: informação de qualidade salva vidas

A hipertensão é silenciosa. Mas não é invisível — não para quem sabe onde olhar e tem um bom cardiologista ao lado.

O Podcast Cardiocare nasceu exatamente para isso: levar até você o mesmo nível de conversa que acontece dentro dos consultórios. Com ciência, com experiência e com a honestidade de quem cuida de pacientes há mais de 25 anos.

Se você ainda não tem um cardiologista, esse é o momento de marcar sua consulta.

Se você já tem, leve suas dúvidas. Leve sua tabela de pressão. Leve seus medos. É para isso que ele está lá.

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