Você já sentiu o coração disparar, bater mais forte ou até falhar por alguns segundos… mas, ao fazer os exames, não apareceu nada?
Essa é uma queixa comum no consultório cardiológico — e é justamente para esses casos que o exame de Holter se torna tão importante.
Conversamos com um de nossos cardiologistas, Dr. Gerson Lemke, para esclarecer as principais dúvidas sobre o exame, suas indicações, cuidados e também as tecnologias mais modernas, como o looper externo e o looper implantável.
Cardiocare: Dr. Gerson, para começar do básico: o que é o exame de Holter?
Dr. Gerson Lemke: O Holter é um exame que registra o ritmo cardíaco de forma contínua por 24, 48 ou até 72 horas. Ele funciona como um “eletrocardiograma prolongado”, acompanhando o coração enquanto o paciente vive sua rotina — dorme, caminha, trabalha, dirige, sente emoções. É muito útil para investigar sintomas que não aparecem em exames rápidos, como palpitações, arritmias ou desmaios.
Cardiocare: Em que situações o Holter costuma ser indicado?
Dr. Gerson Lemke: Principalmente quando os sintomas são frequentes. Se o paciente sente palpitações todos os dias, por exemplo, o Holter é excelente para registrar e entender o que está por trás disso. Mas se os sintomas são muito esporádicos — como um desmaio a cada seis meses — talvez precisemos de outro tipo de exame, como o looper.
Cardiocare: E o que acontece se o paciente tiver sintomas raros, como desmaios ocasionais?
Dr. Gerson Lemke: Nesses casos, o looper externo ou o looper implantável são mais indicados. O looper externo pode ser usado por semanas, e o paciente ativa o aparelho quando sente o sintoma. Já o looper implantável é um dispositivo parecido com um pendrive, que é colocado sob a pele e monitora o coração continuamente por até cinco anos. Ideal para quem tem sintomas muito espaçados, mas potencialmente graves.
Cardiocare: Durante o uso do Holter, o paciente precisa tomar algum cuidado especial?
Dr. Gerson Lemke: Sim. A primeira coisa é que o paciente não pode tomar banho com o aparelho. Também deve evitar cremes, óleos e hidratantes na região onde os eletrodos estão fixados, porque isso pode interferir no registro. Além disso, precisa manter a rotina normalmente — o objetivo do exame é registrar o que acontece no dia a dia, inclusive se o sintoma aparece durante esforço, estresse ou repouso.
Cardiocare: Existe algo que o paciente possa fazer para melhorar a qualidade do exame?
Dr. Gerson Lemke: Com certeza. Uma dica essencial é anotar os sintomas. Sempre que sentir algo, o ideal é registrar o horário, o que sentiu e o que estava fazendo no momento. Esse “diário de sintomas” é muito valioso, porque nos permite correlacionar os relatos do paciente com os dados do exame — e isso aumenta muito a chance de um diagnóstico preciso.
Cardiocare: O Holter é um exame seguro? Existe alguma contraindicação?
Dr. Gerson Lemke: É um exame totalmente seguro, não invasivo e indolor. Não há contraindicações significativas. A única limitação é mesmo relacionada à frequência dos sintomas. Quando eles são raros, precisamos de estratégias diferentes, como expliquei antes.
Cardiocare: E sobre o resultado: como ele é analisado?
Dr. Gerson Lemke: Depois que o aparelho é retirado, ele é conectado a um sistema que processa todos os dados coletados. A partir disso, fazemos uma análise detalhada dos batimentos e buscamos alterações, arritmias, pausas, taquicardias e outras irregularidades. O laudo final é emitido por um cardiologista especializado — e, se o paciente fez o diário de sintomas, conseguimos cruzar essas informações com os registros do exame.
Cardiocare: Para finalizar… O que o senhor diria para alguém que sente sintomas cardíacos frequentes, mas ainda não procurou ajuda?
Dr. Gerson Lemke: O coração costuma avisar quando algo não está bem. Palpitações, tonturas, desmaios, sensação de batimento fora do ritmo — nada disso deve ser ignorado, principalmente se acontecer com frequência. A boa notícia é que, hoje, temos exames acessíveis, como o Holter, que ajudam muito no diagnóstico. O mais importante é procurar orientação médica e não se acostumar com sintomas que não são normais.
Se você apresenta sintomas como palpitações frequentes, sensação de desmaio ou arritmias, agende uma consulta com um cardiologista. O exame de Holter pode ser uma peça importante para entender melhor o que está acontecendo com o seu coração.
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