Exercício físico e coração: por que o movimento é remédio e como começar com segurança
Viver com mais saúde e mais disposição pode começar com um gesto simples: sair do sofá. Mas, entre a vontade de começar e a prática segura, existe um caminho. E é sobre ele que conversamos no terceiro episódio do Cardiocare Cast.
Gravado na Associação Médica do Paraná (AMP), o episódio foi conduzido pelo cardiologista Dr. Walmor Lemke e reuniu dois olhares que se completam. De um lado, o Dr. Pedro Segato, cardiologista e médico do esporte da Cardiocare, que estuda o exercício como ciência. Do outro, Henrique Lima, advogado, escritor e ciclista, que trouxe a experiência de quem transformou a própria rotina a partir do movimento.
Neste artigo, reunimos os principais pontos da conversa: por que o exercício funciona como um remédio, como se preparar com segurança para começar, o que muda em cada fase da vida e como manter o hábito ao longo do tempo. Assista ao episódio completo no vídeo abaixo e siga a leitura para se aprofundar em cada tema.
Exercício é remédio? O que a ciência mostra
Sim, e o Dr. Pedro propõe uma inversão importante: o exercício não é algo que precisamos convencer as pessoas a adicionar na vida. O estranho, na verdade, é ficar parado. O sedentarismo é que representa risco. Quando esse risco é retirado, o resto vem como benefício.
Segundo o cardiologista, o exercício físico está associado à redução da mortalidade, incluindo mortes por doença cardiovascular, AVC e infarto. Ele aparece nas diretrizes como aliado no controle da hipertensão e do colesterol, além de beneficiar a saúde óssea, a longevidade e o bem-estar como um todo.
Isso não significa que todos possam sair treinando por conta própria. O Dr. Pedro reforçou que a orientação é sempre individualizada, que existem contraindicações e que alguns casos exigem cautela. Mas, para a maioria das pessoas, privar-se do exercício é que representa uma perda. Como ele resumiu, o benefício é tão grande que adiar essa decisão, na prática, também é um risco.
Do sofá à bicicleta: a virada que começou com uma decisão
A história do Henrique ilustra bem uma ideia que o Dr. Walmor gosta de repetir: ninguém nasce na bicicleta. Há sempre um momento, uma decisão.
Durante a pandemia, Henrique ficou gravemente doente, chegou a ser entubado e passou cerca de um mês na UTI. A recuperação foi longa. Tempos depois, ao renovar a habilitação, teve um susto: a pressão, que sempre fora normal, apareceu bastante elevada na aferação. Foi o empurrão que faltava para procurar ajuda. Ele chegou à Cardiocare e passou a ser acompanhado pelo Dr. Walmor.
A orientação foi direta: era hora de mudar de vida e se movimentar. Henrique começou pela musculação, depois investiu no ciclismo e passou a treinar com acompanhamento profissional. A primeira prova acendeu uma paixão que ele não esperava. Hoje pedala quase todos os dias e está começando na corrida de rua.
Vale um cuidado de leitura: essa é a experiência individual de um convidado, não uma promessa de resultado. O que a trajetória do Henrique mostra é que a mudança é possível e que ela acontece melhor quando vem acompanhada de orientação médica, e não sozinha.
Motivação que dura: como o exercício vira hábito
O exercício só protege quem o mantém. E, segundo o Dr. Pedro, a chave para manter é o prazer.
Ele explicou que a adesão duradoura raramente nasce da obrigação. Quem acorda pensando “que preguiça, hoje tem academia” dificilmente sustenta a rotina por muito tempo. Já quem sai de casa animado para pedalar com o grupo tende a continuar. Por isso, no consultório, ele adota o que a medicina chama de decisão compartilhada: em vez de impor uma atividade, ajuda o paciente a encontrar aquela que combina com ele.
Uma das estratégias é resgatar a memória afetiva do movimento. Uma pessoa que amava dançar na juventude pode reencontrar ali um motivo para voltar a se mexer. Outra, mais reservada, pode preferir um exercício que faça em casa, no seu tempo. O ponto não é qual esporte, e sim qual esporte faz sentido para cada um.
Antes de começar: a avaliação pré-participação
A boa notícia é que a maioria das pessoas precisa de pouco para começar.
O Dr. Pedro explicou que, para atividades leves a moderadas, muitas vezes uma boa conversa no consultório e um exame físico bem feito já bastam. A avaliação pré-participação existe justamente para dar segurança a esse início.
Quando a atividade é mais intensa, o eletrocardiograma passa a ser recomendado. Algumas diretrizes indicam realizá-lo a partir dos 35 anos, e há discussões para baixar essa idade. A partir dos 65 anos, costuma-se recomendar também uma prova funcional, como o teste ergométrico (ou o cicloergômetro, para quem não corre), sempre de forma individualizada.
Um exame aparentemente simples pode fazer diferença. O Dr. Pedro citou estudos em que o eletrocardiograma, isoladamente, teve impacto na redução da mortalidade entre praticantes de esporte, ao identificar condições silenciosas, algumas congênitas. Um exemplo lembrado no episódio foi o de programas de triagem de atletas, que passaram a detectar precocemente problemas que antes só apareciam tarde demais.
Há também situações que pedem mais atenção. Quem passou por um episódio grave, como o Henrique, que ficou entubado, pode precisar investigar se houve alguma inflamação no coração antes de retomar esforços intensos, o que pode envolver exames como o ecocardiograma ou a ressonância. Nada disso é regra para todo mundo: para quem não tem histórico de risco, uma boa avaliação já pode liberar a prática com tranquilidade.
Na Cardiocare, exames como eletrocardiograma, teste ergométrico e ecocardiograma são realizados na própria clínica, o que facilita esse acompanhamento.
Treinar com segurança: fortalecimento, lesões e overtraining
Se começar é importante, exagerar é o que costuma atrapalhar.
O Dr. Pedro trouxe um dado que merece atenção: uma parcela expressiva das pessoas com sobrepeso se machuca ao iniciar a atividade física ou ao longo do primeiro ano de prática. Por isso, ele insiste em um ponto: o treino de fortalecimento não é um detalhe, é o que dá suporte ao exercício principal. Quem quer correr, por exemplo, e ignora o fortalecimento, tem grande chance de se lesionar.
Ele também lembrou que as mulheres tendem a ter mais risco de certas lesões, por diferenças anatômicas e por variações ao longo do ciclo menstrual, o que reforça a importância de um acompanhamento individualizado.
Outro alerta foi contra a síndrome do overtraining, o excesso de treino. Ela não afeta só o corpo, mas também o humor e a disposição. O Dr. Pedro explicou que treinar sempre em alta intensidade é um erro comum: a maior parte do treino deve ser leve a moderada, algo que muita gente resume na regra dos 80 por 20. Seguir planilhas genéricas baixadas da internet, sem adaptação à própria realidade, é um caminho conhecido para o excesso e a lesão. Ter a orientação de um profissional ajuda a ajustar a carga, respeitar o descanso e evitar o clássico “no pain, no gain”, que, segundo ele, não se sustenta: dor não é sinônimo de progresso.
Cada idade, um cuidado
O tipo de exercício ideal também muda ao longo da vida.
De forma geral, o Dr. Pedro explicou que, até por volta dos 65 anos, o recomendável é combinar exercício aeróbico com fortalecimento. A partir dos 65, entra também o chamado treino multicomponente, voltado ao equilíbrio, ao fortalecimento e à mobilidade, do qual o pilates é um exemplo. O objetivo é preservar a autonomia e reduzir o risco de quedas, um cuidado especialmente valioso na idade avançada.
A mensagem que atravessa todas as fases é a mesma: nunca é tarde para começar, desde que se comece com orientação.
O esporte que inclui: comece em grupo, na corrida ou no pedal
Um dos pontos mais bonitos da conversa foi perceber como o esporte acolhe quem está chegando.
Henrique e o Dr. Pedro destacaram que atividades como o ciclismo e a corrida de rua são democráticas: recebem bem os iniciantes, não exigem talento prévio e criam um senso de grupo. Ter uma turma para encontrar no fim de semana, um motivo para sair de casa, costuma ser o que transforma uma tentativa em hábito. O episódio, gravado no Dia Nacional do Ciclista, reforçou esse espírito.
Curitiba, com sua forte cena de corrida de rua e ciclismo, é um ótimo cenário para isso. E há um consolo para quem se cobra demais: mais do que o equipamento, o que faz diferença é a constância. Henrique, que aplica no esporte a mesma disciplina da profissão, resumiu bem a ideia de que o resultado vem de manter a média ao longo do tempo, e não de um esforço isolado.
As mensagens finais dos convidados
Ao encerrar, o Dr. Walmor pediu as mensagens finais.
O Dr. Pedro deixou duas. A primeira: comece. Na dúvida entre começar ou não, o caminho é ir em direção ao exercício, sem medo. Notícias de atletas que passam mal durante provas assustam, mas são exceção. A maioria das pessoas internadas hoje não é composta por praticantes de esporte, e sim pelo contrário. A segunda mensagem: faça uma boa avaliação. E ela não precisa ser só com o cardiologista ou o médico do esporte. Qualquer contato com um profissional de saúde que faça uma boa avaliação já ajuda a começar de forma responsável.
O Henrique encerrou com um convite simples: saia do sofá e comece a caminhar. Chame a esposa, o irmão, um amigo. Depois, vá aprimorando, faça um check-up, procure orientação, se empolgue. O importante é começar, e começar hoje. Como ele brincou, não deixe para a segunda-feira.
Perguntas frequentes sobre exercício físico e coração
Exercício físico faz bem para o coração?
Sim. Segundo os especialistas do Cardiocare Cast, o exercício regular está associado à redução da mortalidade cardiovascular e ajuda no controle de fatores como pressão alta e colesterol, além de beneficiar a saúde óssea e a longevidade. O sedentarismo, ao contrário, é um fator de risco.
Preciso fazer exames antes de começar a me exercitar?
Depende da intensidade e do seu histórico. Para atividades leves a moderadas, muitas vezes uma boa avaliação clínica basta. Para exercícios mais intensos, o eletrocardiograma costuma ser recomendado, e algumas faixas etárias podem precisar de uma prova funcional, como o teste ergométrico. O ideal é conversar com um médico antes de começar.
Quem já teve um problema no coração pode voltar a praticar esporte?
Em muitos casos, sim, desde que com avaliação e acompanhamento adequados. Quem passou por um evento mais grave pode precisar de exames complementares antes de retomar esforços intensos. A conduta é sempre individualizada.
O que é overtraining e como evitar?
Overtraining é o excesso de treino, que afeta não só o corpo, mas também o humor e a disposição. Para evitar, os especialistas recomendam que a maior parte do treino seja de intensidade leve a moderada, respeitar os dias de descanso e, quando possível, contar com a orientação de um profissional em vez de seguir planilhas genéricas.
Corrida de rua ou ciclismo: qual é melhor para quem está começando?
Não existe resposta única. O melhor esporte é aquele que a pessoa gosta e consegue manter. Tanto a corrida de rua quanto o ciclismo são atividades acessíveis, boas para iniciantes e favorecem a prática em grupo, o que ajuda a criar o hábito.
Qual é a quantidade de exercício recomendada?
De forma geral, as recomendações apontam para a prática regular ao longo da semana, começando de forma leve e progressiva para quem está saindo do sedentarismo. A quantidade ideal deve ser ajustada caso a caso, com orientação profissional.
Movimente-se com quem cuida do seu coração
Na Cardiocare, o cuidado com a prevenção e com a qualidade de vida é levado a sério e colocado em prática. Nosso corpo clínico reúne mais de 70 médicos, entre cardiologistas e especialistas de áreas integradas, incluindo a medicina do esporte, com consultas e exames cardiológicos no mesmo lugar. Se você pensa em começar a se exercitar, uma avaliação é o primeiro passo para fazer isso com segurança.
Assista ao episódio completo no nosso canal do YouTube e acompanhe a Cardiocare nas redes sociais para mais conteúdos sobre saúde do coração.
Cardiocare – Nós trabalhamos com o coração.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo, com base nas falas dos participantes do episódio 03 do Cardiocare Cast. Os relatos pessoais representam a experiência individual do convidado e não constituem promessa de resultado. Ele não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico. Em caso de sintomas ou dúvidas sobre a sua saúde, procure um médico.